Santa Maria: há muitas responsabilidades a serem apuradas

Marcos Rolim
É preciso permitir que a dor vire palavra, que os sentimentos aflorem e que o silêncio também cumpra seu papel. Isto é ainda mais importante quando, por óbvio, há muitas responsabilidades a serem apuradas.
Elas começam na negligência dos donos da boate, vão até os critérios empregados pelos bombeiros em suas vistorias, passam pela ação ou omissão da prefeitura (e não só da atual gestão), se estendem para a Câmara Municipal, vão ao Ministério Público e assim por diante. Cada instituição, neste momento, tende a se manifestar para dizer que – no que diz respeito as suas responsabilidades – tudo que deveria ter sido feito, foi feito. Mas é exatamente Isto que precisa ser apurado.
Falou-se muito, por exemplo, que o licenciamento da boate estava vencido. Se isto for verdade, é claro que estamos diante de uma irregularidade absurda. Mas isto também significa que a boate já funcionou legalmente, com licenciamento válido.
Ora, se é assim, isto quer dizer que alguém licenciou a boate com uma só porta e com um brete que foi construído para que os clientes não saíssem sem pagar as malditas comandas. Se este licenciamento anterior seguiu todas as recomendações técnicas, então será preciso mudar estas recomendações.
Uma casa que pode receber 1,5 pessoas não pode ter apenas uma porta, mesmo que ela fosse grande – o que não é o caso.
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