A faixa de pedestre reflete práticas sociais

Hoje, ao atravessar uma faixa de pedestre, dei-me conta das narrativas não-verbais que são repetidas, e confirmadas, a cada pedestre a atravessá-la, a cada encontro automóvel↔pessoa...

A aproximação é, normalmente, desconfiada, o indivíduo para, olha atentamente para dois lados e ao avistar um veículo, ainda que tudo indique que a chegada à faixa possibilite o atravessar, espera sua passagem, após verificar se não há nenhum risco aparente a área está liberada...

Algumas vezes os pés já tocaram as listras brancas, mas o tamanho e a invulnerabilidade automotiva impõe uma retirada (como ilustrado neste link), ou seja, quando o carro avança é melhor voltar à calçada que ser atropelado, e assim, o pedestre é expulso pela força do carro.

Este cenário do cotidiano das cidades representa, com muita clareza, as relações diárias de poder, quem tem poder para ocupar uma determinada área do espaço público urbano, e, quem tem que dar passagem...

Ao falar em desequilíbrio de poder, num sistema capitalista, parece que o poder financeiro aflui em primeiro lugar, poder financeiro para comprar um carro e enfrentar pedestres na faixa... porém acredito que, neste caso da faixa de pedestre, a força física adquire contornos de protagonista da ação, ou seja, se manifesta na capacidade de obrigar, pela força bruta, alguém a fazer algo que não deseja fazer...

Mais uma vez, temos aí na faixa de pedestre, um embate entre a força do direito e o direito da força, com efeitos imediatos na segurança e ordem públicas, neste caso e em muitos outros a grande aliada da comunidade é a EDUCAÇÃO !

Falta de educação gera falta de segurança.

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