Pesquisa sobre extorsão pode não refletir momento da PM no Rio


Fuzil de policial da UPP da Rocinha com ferrugem. Especialistas apontam falta de investimento em treinamento, seleção e controle dos policiais como explicações para o dado de extorsão no estado  
Fuzil de policial da UPP da Rocinha com ferrugem. Especialistas apontam falta de investimento em treinamento, seleção e controle dos policiais como explicações para o dado de extorsão no estado  

Os dados revelados por pesquisa do Ministério da Justiça em parceria com a ONU, e publicados pelo jornal Extra no domingo (7), apontaram a polícia militar do Rio de Janeiro como a mais corrupta do país. Para especialistas, o resultado da amostragem, realizada em 2010, pode não refletir o atual panorama fluminense, mas confirma os indícios e os relatos dos habitantes.
Além disso, os estudiosos propõem uma reestruturação da PMERJ, especialmente na seleção, no treinamento e no controle da atividade policial. No entanto, são unânimes ao destacar que também parte dos cidadãos a iniciativa de evitar desvios de conduta.
O desempenho do Rio, que contabilizou 30,2% dos casos de extorsão registrados em todo o país, segundo sociólogos e especialistas em violência, traduz também a falta de estrutura e treinamento das forças policiais. Com a divulgação do resultado, é natural que o cidadão se sinta incomodado, mas é justamente neste momento que os estudiosos defendem a discussão do tema. Vale destacar que no estado foi registrado o segundo maior índice de desconfiança com a polícia, de 69,6%, atrás apenas de Roraima.
ISP divulga fevereiro
Nesta terça-feira (9), o Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgou os dados referentes a fevereiro e o índice de Letalidade Violenta (homicídio doloso, latrocínio, homicídio decorrente de intervenção policial e lesão corporal seguida de morte) no estado teve o menor registro desde o início da série histórica, em 2000, quando comparado com o mesmo período dos anos anteriores. A redução foi 8,3% com 398 vítimas no último mês, contra 434 em fevereiro de 2012.
O indicador Roubo de Rua (roubo a transeunte, roubo de aparelho celular e roubo em coletivo) apresentou um aumento de 2,8%. Em fevereiro de 2013 foram 5.468 roubos, e em fevereiro de 2012 foram 5.320 roubos.
Além disso, foram registrados 28 homicídios decorrentes de Intervenção Policial (Auto de Resistência), 19 deles na capital. No mesmo mês do ano passado, 35 mortes por ação policial foram registradas pelo ISP. Em janeiro deste ano, não houve registros dessa natureza.
Solução com a sociedade
A Secretaria de Estado de Segurança (SESEG) informou que tomou ciência dos resultados parciais da pesquisa de vitimização pela imprensa. "O Secretário José Mariano Beltrame acredita que a corrupção é um dos poucos crimes cuja grande parte da solução está nas mãos da sociedade, na medida em que pode deixar de ser parte ativa do processo oferecendo dinheiro", diz trecho da nota enviada ao  Jornal do Brasil.
Para secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, a solução para a corrupção está nas mãos da sociedade 
Para secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, a solução para a corrupção está nas mãos da sociedade 
Beltrame destacou outros dois fatores relacionados à corrupção policial: o social - o qual a Secretaria afirma estar investindo nas academias, escolas e nos cursos de formação - e a formação de caráter.
"A Secretaria de Segurança investe sistematicamente em ferramentas de controle interno e externo das polícias. Desde 2008, as corregedorias foram fortalecidas, com mais condições para exercer suas atribuições, aumentando sua independência e capacidade de trabalho. Os processos de expulsão também se tornaram mais ágeis. Houve aumento de 76% no número de policiais civis e militares expulsos", informou a Secretaria.

Denúncias em baixa
Para a socióloga do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania e uma das elaboradoras do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), Silvia Ramos, o fato de a pesquisa ter começado a ser realizada em 2010 pode trazer experiências que não estejam necessariamente vinculadas ao atual cenário da segurança pública no estado. No entanto, o resultado bastante significativo apontado pelo estudo é surpreendente.

http://www.jb.com.br/rio/noticias/2013/04/09/pesquisa-sobre-extorsao-pode-nao-refletir-momento-da-pm-no-rio/