Campanha anti-trote: crianças visitam Ciop

Os prejuízos causados ao serviços de segurança pelos trotes feitos ao Centro Integrado de Operações (Ciop), que chegam a mais de um milhão por ano em Belém, foram o tema de palestra e visita que 30 crianças e adolescentes de oito escolas públicas do distrito de Icoaraci fizeram nesta quinta-feira (17) à central. O objetivo é conscientizar esse público e reduzir o número de ligações telefônicas falsas, que chegam a 30% do total recebido pelo Ciop.
“Conscientizar as crianças para que elas não façam trotes é o grande objetivo da visita ao Ciop. Há muitos casos de trotes feitos por crianças e muitas vezes elas não têm conhecimento de quanto uma brincadeira prejudica todo o trabalho da segurança do Estado. Assim, a visita é uma forma de mostrar os prejuízos causados por essa ação”, informou o sargento Rivelino, do projeto Escola da Vida, do Corpo de Bombeiros.
A visita foi apenas a primeira de muitas que estão por vir, informou o coordenador geral do Ciop, capitão da Polícia Militar Jandir Leão. A ideia é levar esse conhecimento para os jovens nas escolas, alcançando um número ainda maior de alunos. O projeto será levado para escolas públicas e, depois, particulares. “Esse é o passo inicial de um projeto maior que pretende esclarecer a sociedade pelas crianças, que são os adultos de amanhã”, disse.
Conscientização –Uma palestra e vídeo mostraram os prejuízos caudados pelos trotes e como o trabalho pode fluir melhor sem eles. Para a estudante Juliana Guedes Monteiro, 12 anos, a visita ao Ciop foi proveitosa, porque ela adquiriu muitas informações que desconhecia. “Aprendi a importância de não passar trote, pois ao deslocar uma equipe de policiais para atender uma ligação falsa, pode acontecer de um atendimento verdadeiro deixar de ser feito e, assim, os policiais deixam de salvar pessoas em perigo e até de salvar uma vida, num caso de um chamado de incêndio, por exemplo”, observou.
Os estudantes conheceram ainda as instalações do Ciop e a estrutura montada para atender os chamados da sociedade. Todos os participantes também ganharam uma cartilha informativa, que explica de forma didática e importância de não passar trotes. Nesta sexta-feira (18), visitam o Ciop mais 30 crianças, desta vez da Escola Cristo Redentor, da Cabanagem, assistidas pelo Pro Paz.
“Gostei muito de ter aprendido sobre a importância de não fazer trotes e vou falar do que vi aqui para os meus colegas da escola”, disse o pequeno Raul Diego Ferreira, 12 anos, aluno da Escola Estadual São Pedro, do bairro de Icoaraci.
Prevenção – A ideia de educar as crianças surgiu do número excessivo de trotes registrados diariamente pelo Ciop. Segundo levantamento do centro, a cada 10 mil ligações feitas por dia, 30% são falsas, o que dificulta e prejudica o trabalho de todo o aparelho de segurança do Estado. De 3.134 milhões de chamadas recebidas, no período de janeiro a 31 de outubro deste ano, mais de um milhão não tinham procedência, o que representa um percentual 34,52%.
Em 2010, esse percentual, que chegava a 35%, foi reduzido com medidas corretivas, feitas a partir das investigações, com o rastreamento dos telefones, que são identificados. “Passar falsa informação para a polícia é crime, previsto no Código Penal. Assim, esses trotes são enviados para a Polícia Civil, que dá procedimento ao processo, seguindo com a punição dos infratores”, explica Jandir Leão.
O Código Penal Brasileiro considera crime, passível de pena de um a três anos de detenção, além de multa, o acionamento indevido de serviço de socorro. Passar trote para PM e outros órgãos governamentais é crime, segundo texto do artigo 340 do Código Penal. “Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou contravenção que sabe não ter se verificado é considerado crime”, diz a legislação. O artigo 265 prevê pena de reclusão de até cinco anos para quem passar informação falsa para o aparelho de segurança pública do Estado.
Manuela Viana – Secom

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente