Prefeito de Bragança recebe administração sucateada. HDs foram queimados.


Mais um prefeito eleito nas eleições do ano passado tem enfrentado várias dificuldades no início do governo por causa da situação em que encontrou a administração municipal. HDs queimados, trator da Secretaria de Agricultura quebrado, pá mecânica e moto niveladora parados, sumiço de grande parte dos contratos de convênios, ausência de dinheiro para transporte escolar e ambulâncias que não funcionam foram as heranças deixadas ao atual gestor de Bragança, padre Nelson Magalhães (PT).
Um dos maiores problemas, no entanto, tem sido o não pagamento, até agora, dos salários referentes ao mês de dezembro. Na última sexta-feira, o gestor se reuniu com representantes dos servidores para apresentar os extratos da conta da prefeitura e mostrar que o dinheiro que não há dinheiro em caixa para isso.
Nelson Magalhães alega que o ex-prefeito Edson Oliveira (PMDB) transferiu a fornecedores o dinheiro do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) que deveria ser destinado ao pagamento desses servidores. Entre os fornecedores que receberam recursos que deveriam ir para a educação, afirma o petista, encontra-se a empresa de um irmão de Edson e um vereador peemedebista. Quando assumiu a administração de Bragança, no dia primeiro de janeiro, o atual prefeito afirma que só encontrou R$ 1.600,00 do Fundeb. "E ele ainda tem a cara de pau de ligar para a gente e mandar pagar os professores", disparou Magalhães.
O prefeito observa que a Lei de Responsabilidade Fiscal é clara ao afirmar que um gestor não pode deixar débito para o seu sucessor. "Não tenho como pagar sem dinheiro. Ele tinha o dinheiro em dezembro e não pagou", disse. O próximo recurso que for repassado pelo Fundeb, explica o petista, será usado para o pagamento dos salários de janeiro. Como não há previsão orçamentária no orçamento deste ano para pagamento de salários atrasados, uma das soluções para resolver o problema poderia ser a obtenção de empréstimo por parte da prefeitura. Porém, nesse caso, o gestor esbarra na burocracia de ter que aprovar o pedido de empréstimo da Câmara Municipal de Bragança e, ainda, ter que limpar o nome do município junto ao banco para conseguir obter o dinheiro.
Nesses primeiros dias de governo, tem sido feita uma auditoria para avaliar toda a situação e um relatório deve ser enviado aos tribunais de contas do Município, Estado e União e outros órgãos competentes. Segundo Nelson Magalhães, o processo de transição foi feito "só na conversa". Isso porque nem todos os relatórios solicitados foram entregues. "Nós estamos mostrando para o Ministério Público do Estado e o Tribunal de Contas dos Municípios que os relatórios não foram entregues no prazo", disse. O ex-prefeito Edson Oliveira foi procurado para falar sobre o assunto, mas não foi localizado.

Amazônia Jornal.