Um papa brasileiro?


Capa - Edição 769 (Foto: Montagem sobre foto AFP)


>>Trecho da reportagem de capa de ÉPOCA desta semana


A renúncia inesperada de Bento XVI embaralhou a sucessão e abriu as portas para a renovação da Igreja. Do conclave, pode sair o imprevisível – até um papa não europeu


A reunião dos cardeais que escolhem o líder da Igreja Católica – o conclave papal – ocorre em formato parecido com o atual há mais de 700 anos, desde 1276. Vários desses encontros tiveram contornos dramáticos, ao lidar com a iminência de invasões, guerras e revoluções. O próximo conclave, que provavelmente se reunirá na segunda quinzena de março, tem tudo para ser dos mais espetaculares da história. Ele foi lançado por um fato inédito em 700 anos: a renúncia espontânea de Bento XVI. Seu desfecho é imprevisível. O gesto do papa, qualquer que fosse sua intenção, embaralhou as cartas de sua sucessão e abriu possibilidades até então consideradas remotas. Uma delas é a eleição de um papa não europeu. Seria o primeiro desde os patriarcas do cristianismo. Ele daria feição humana à ideia de uma igreja universal. Se essa hipótese for admitida pelos cardeais, ganharia força a possibilidade de escolha de um papa da América Latina – região que concentra 43% dos católicos do planeta – e, por extensão, do Brasil, onde há 150 milhões de católicos. Em números absolutos, o Brasil é a maior nação católica do mundo. Até que ponto a possibilidade de um papa brasileiro pode se tornar realidade?