O OUVIDOR QUE NÃO VÊ.


Eis que se faz presente em nosso estado o ‘’OUVIDOR NACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS’’. Seria muito mais festejado, se, rotineiramente para aqui viesse em decorrência da implementação de algum serviço de sua ouvidoria em beneficio da nossa sociedade, mas, seu deslocamento à custa de nosso dinheiro é dinamizado pela mídia, e, assim mesmo quando a luz ultrapassa as fronteiras do estado. Igualzinho a ele costumamos observar inúmeras outras mariposas midiáticas sedentas de luz, infelizmente, a luz do infortúnio. Este senhor não precisaria sair de onde estava para saber destes fatos, e, inúmeros assemelhados que diariamente, e, rotineiramente ocorrem em todos os estados deste imenso Brasil, mas, parece-me que a designação ‘’OUVIDOR’’ somente lhe permite ouvir, e, somente ouvir o que a mídia estampa em edição nacional, quando bastava perguntar no bar da esquina onde ocorrem os crimes contra os direitos humanos. Estas meninas de Vitoria do Xingu são uma ínfima partícula de todos os desmandos neste campo. Para que elas se submetessem a esta degradante condição, efeitos provocadores existiram, e, entre eles senhor ouvidor, políticas publicas de responsabilidades de seu governo e suas secretarias deixaram de existir, ou tiveram seus objetivos desvirtuados por condicionantes impublicáveis, mas, imagináveis. Antes de conhecer os males averigúe as causas, e, quando vier responsabilizar um aproveitador final da desgraça humana (gerente ou garçom, que merecem sim a cadeia) traga a reboque alguns dos responsáveis (talvez um ministro, que também mereça a cadeia) pela causa do efeito, que devem estar bem próximo ao seu ambiente de trabalho. Hipocrisia midiática, de todos aqueles que não olham o próprio umbigo.
Senhor ouvidor, se desejas realmente saber onde ocorrem crimes contra os direitos humanos, não precisa pegar avião gastar nosso dinheiro com diárias de hotéis, e, tudo mais. Coloque em cada estado um braço seu que, apenas não fique a ‘’ouvir’’, mas que saia do birô que ocupa. Experimente sair em seu carro particular, e, estacione sorrateiramente (atenção leve um forte segurança para não ser seqüestrado ou assaltado), e exercite alem da audição a visão, apenas nos locais a seguir; procure: A- Na periferia de todo grande projeto espalhado pelo Brasil. B- Nos grandes postos de gasolina onde se avolumam caminhoneiros para passarem em segurança suas noites. C- Nas circunvizinhanças dos locais onde ocorrem grandes eventos como Rock Rio, Shows de Rodeios, e, muitos outros. D- Em pontos estratégicos espalhados nas diversas cidades deste país, aqui em Belém, por exemplo, aproveite sua estadia, e, como disse anteriormente observe a Doca de Souza Franco às noites de sexta para sábado, e, em suas adjacências; circunde a praça da republica as altas horas. E- Observe em quase todo município do interior dos estados, suas delegacias de policias, todos sabem as pocilgas que sempre foram locais onde os direitos humanos dos servidores da segurança, e, dos detentos jamais foram respeitados. Nestes específicos pontos, entre outros, senhor OUVIDOR será encontrado exatamente aquilo que o senhor se permitiu ouvir em decorrência de um grito midiático nacional. O pior, senhor ouvidor é que, desde que ‘’Adão era cadete’’isto vem ocorrendo com maior ou menor intensidade, mas, sem sombra de duvida a política pública das reprimendas paternais, as liberações sociais de bolsas, sexo, e, educação ajudaram a dinamizar, e,maximizar esta esdrúxula condição, que já nem causa tanta indignação social como antes causava.Nossa sociedade inculta segue a cartilha daquele que não queria ouvir,saber,ou ver.Deixe apenas de ouvir passando a exercitar a acuidade.

Belém 19 de fevereiro de 2013.
WALMARI PRATA CARVALHO