ARTIGO: “O meu primeiro amor”



Aos ex-alunos do COLÉGIO ESTADUAL MAGALHÃES BARATA (como o autor do Blog Saiba das Coisas)

GENILDO MOTA
 Ah!…que bom se pudéssemos voltar no tempo para viver novamente momentos de ingenuidade, segurança, amor e amizade. Felizmente, no meu caso, e de vários alunos e alunas do nosso querido CEMB, conseguimos, no ano de 2000, após 25 anos, nos reencontrarmos e até hoje, uma vez por ano nos reunirmos para celebrar esta amizade que ficou cravada em nossos corações juvenis…isso mesmo: juvenis, porque é assim que nos sentimos quando nos revemos. É sempre um misto de saudades e alegrias quando podemos abraçar novamente aquele amigo ou amiga que conquistamos durante aqueles anos de aprendizado.
Ao contrário do que acontece nos dias de hoje com essa grande evasão escolar, no nosso tempo,  ficávamos contando as horas para no dia seguinte, voltar ao colégio e poder rever os amigos, aquela professora que enchia nossos olhos, aquela menina que nos fazia suspirar fundo, ou o jambeiro, ahhh!… o jambeiro… quem nunca esteve lá ou no castelinho, para dar uma namoradinha às escondidas das espetoras e principalmente da “Tia Teca”, que era como chamávamos a nossa saudosa diretora Tereza Listo? Na quadra de areia bem ao lado da nossa sala de aula, parece que ainda vejo as meninas jogando vôlei e nós lá… torcendo para que uma delas subisse até a rede para dar uma cortada. Era uma beleza! Afinal, elas estavam de saias curtas.
O estudo era levado a sério. Nós tínhamos os grupos de estudo. Naquele tempo não haviam tantos cursinhos de apoio aos estudantes e  estudávamos não só em véspera de provas, mas para estar sempre com as matérias em dia. Assim, nos sentíamos preparados não só para as provas no colégio, como também para o vestibular.
Bons tempos aqueles em que éramos felizes e não sabíamos, vivíamos em função do colégio e de nossos amigos. Morríamos de ciúmes das meninas quando achavam de namorar com outros rapazes que não fossem do colégio e principalmente quando eram dos nossos “rivais” diretos como era o caso do “Augusto Meira”, “Paes de Carvalho” ou Escola Técnica. Ficávamos pelos cabelos com elas… que namorassem… tudo bem, mas que fosse com algum de nós do próprio colégio.
O meu primeiro amor surgiu exatamente em plena época estudantil.
 Neste momento, parece que estou vendo e ouvindo… na hora do recreio, a cantina lotada, no alto-falante do colégio tocando a música Benn de Michael Jakson e eu lá…me esforçando para comprar o meu lanche e o da garota que de tão tímida não conseguia comprar o seu, muito menos se relacionar com o resto da turma e eu era o “bom rapaz” para ela. Mas verdadeiramente, ela para mim era a minha musa, a garota que me fazia sonhar atracado ao travesseiro, que fazia meu coração bater em descompasso.
Num belo dia, na aula de português com a professora Marilene Pereira, esta garota estava sentada na carteira em minha frente, quando percebi um fio de seus longos e negros cabelos cair sobre o meu caderno, imediatamente o coloquei entre as páginas do meu livro, lá permanecendo por muito tempo. Os anos foram se passando e nós sempre cultuando aquele sentimento platônico um para com o outro. Então veio o fim do curso e nunca mais nos vimos.
Anos depois, já na faculdade, minha cabeça obviamente já era outra. Não fui um cara de ter muitas garotas, mas, naquele momento eu já estava namorando com a pessoa que hoje é a minha esposa, com a qual tenho duas lindas filhas. É, realmente, com o passar dos tempos a gente muda, a realidade é outra, o comportamento das pessoas também muda e com a minha musa do tempo de colégio não foi diferente.
Num belo dia, em pleno corredor de um dos blocos da UFPA, percebi que uma pessoa muito alegre e sorridente, pulando nas pontas dos pés e com os braços abertos, aos gritos corria em minha direção para me abraçar. Para minha surpresa se tratava daquela garota que nos tempos de colégio fazia o meu coração disparar sempre que a via ou pensava nela. Fiquei ainda mais surpreso, pois já não era mais a mesma menina tímida que eu conhecera no colégio, além dos gritos e do seu correr saltitante, estava mascando um chiclete e com um cigarro na mão, me falou da sua felicidade em me encontrar. Então combinamos que ao final das aulas nos encontraríamos na cantina do Vadião para recordar os nossos tempos de colégio.
Naquele momento senti um misto de desencanto e felicidade, pois já não era mais a menina que amei, mas, mesmo assim, fui ao tal encontro. Ao chegar lá, entre os seus cigarros e algumas cervejas eu lhe falei do caso do cabelo que eu guardei por muito tempo em meu livro e a reação dela foi a seguinte, dando um tapa no meu ombro:
- Seu patife!… por que tu não me falavas?…pois eu também gostava de ti.
Confesso que meu sentimento, no momento, foi uma sensação no mínimo estranha, talvez de perda…sei lá…em pensar que nós poderíamos ser muito mais felizes naqueles idos tempos. Mais enfim, entre boas gargalhadas continuamos o nosso bate papo relembrando o tempo em que éramos felizes, “namorávamos” e não sabíamos.
Após este encontro só nos falávamos nos corredores, porém, o encanto já não existia mais.
Também, dos tempos de colégio, me ficou a lembrança da verdadeira amizade que nos unia. Lembro-me de que um dia, empolgado com meu emprego no jornal O Liberal (1971), este jornal colocou um anúncio convocando desenhistas e diagramadores para atuar em seu quadro, e lá fui eu e consegui ser aprovado, começando na área de produção gráfica como paginador, chegando à redação como diagramador (uma nova profissão que começava em Belém) inaugurando assim, o sistema off-set dos jornais e gráficas de nossa capital. A empolgação subiu à minha cabeça e já pensava em deixar os estudos, pois minhas notas estavam baixas e o fascínio pelo trabalho me envolvia cada vez mais, afinal, eu estava trabalhando em uma das maiores empresas jornalísticas do Pará e acreditava que daquele momento em diante só precisaria me dedicar tão somente ao ofício. Graças a Deus e ao meu grupo de estudo minha opinião mudou quando um deles, (o Zuza), me sacudiu e falou:
- Vamos lá, moleque! Não desanima, a gente estuda contigo. Tu tens que estudar mesmo que seja para colar.
É…até para colar nós tínhamos que estudar.
Assim foi feito e eu terminava aprendendo a matéria. Graças a Deus e a eles consegui terminar meus estudos e ingressar na faculdade.
Isto os credencia para que hoje eu possa dizer sem medo de errar: Reencontrei meus AMIGOS do tempo de colégio.
Muito obrigado meus
Amigos,
Amigos,
Amigos,
AMIGOS PARA SEMPRE!

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