A vida é melhor aos 40

foto: Fábio Vicentini
Dilciene Avanza, 44 anos, mudou sua vida aos 41 e formou-se em Nutrição
Opção por nova carreira

A prova de que a tomada de decisões aos 40 anos tem mais chances de dar certo é a guinada que Dilciene Avanza, 44 anos, deu na vida há poucos anos. Mãe e esposa dedicada, ela decidiu que, com os filhos já crescidos, iria cuidar de um lado até então esquecido: o profissional. Matriculou-se em um curso de Nutrição e, aos 41 anos, começou a exercer a profissão que descobriu ser sua grande paixão. "Era o que faltava para que eu me sentisse totalmente realizada. Consegui me reinventar como mulher, como mãe e como pessoa. Hoje, posso dizer que estou no auge da minha vida e da minha carreira. Tenho disposição suficiente para a rotina de trabalho e me sinto madura para saber aliar a vida pessoal com as outras conquistas ", conta.

Com a maioria dos compromissos já realizados e cérebro no auge, é o momento de recomeçar a vida


Priscilla Thompson
ppessini@redegazeta.com.br

Chega uma fase na vida em que a gente pode olhar para tudo o que construiu e ver o futuro com tranquilidade suficiente para aproveitar as conquistas com sabedoria. A crise da meia idade fica mais distante à medida que a ciência tem comprovado que aos 40 anos reunimos todas as condições para tirarmos o melhor das experiências vividas. Do ponto de vista neurológico, nosso cérebro está no auge da maturidade. À luz da psicologia, o repertório adquirido até então é o ideal para desencadear mudanças e reflexões necessárias ao equilíbrio emocional e afetivo.

Em quatro décadas, a maioria de nós já cumpriu as principais tarefas sociais, como casar, ter filhos e consolidar a carreira profissional. "É como se nos preparássemos para uma segunda etapa da vida, que não é o início do fim, mas do recomeço. Passamos a dar mais importância para o que realmente importa", resume a psicóloga e gerontóloga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Dorly Kamkhagi.

As conexões cerebrais são tão rápidas quanto na juventude e ganham um aliado a mais. "Quanto mais vivência e estímulos, como a leitura, melhor o cérebro fica. A capacidade de raciocínio aprofundado diante de situações diversas se amplia. As perdas de memória, ao contrário do que se pensa, só começam a ser sentidas a partir dos 60 anos", diz o neurologista Ricardo Afonso Teixeira, diretor do Instituto do Cérebro de Brasília.

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