Após ficar famosa, Alter do Chão atrai investidores e triplica leitos de hotel


O mineiro Moacir Miorando decidiu montar um hostel após passar por Alter na lua de mel (Foto: Luana Leão/G1)O mineiro Moacir Miorando decidiu montar um
hostel após passar por Alter na lua de mel

(Foto: Luana Leão/G1)


Alter do Chão tem atraído pessoas interessadas em investir (Foto: Luana Leão/G1)Alter do Chão tem atraído pessoas interessadas em investir (Foto: Luana Leão/G1)

Famosa após ter sido eleita pelo britânico “The Guardian” como a praia mais bonita do Brasil, Alter do Chão tem atraído pessoas interessadas em montar pousadas, restaurantes e até joalherias no balneário. Alçada ao 1º lugar do ranking no jornal em 2009, a vila balneária, distante aproximadamente 30 km de Santarém, triplicou o número de leitos de hotéis nos últimos quatro anos.
Segundo a Secretaria Municipal de Turismo, havia 152 leitos em três hotéis em 2009. Neste ano, Alter do Chão passou a ter mais um hotel, outros empreendimentos aumentaram de tamanho e o número de leitos chegou a 439.
“É um lugar tranquilo, sem violência e a gente se depara com turistas nacionais e estrangeiros a todo tempo. A movimentação só cresce”, afirma o mineiro Marcos Antônio da Silva, de 53 anos, que escolheu Alter do Chão para montar uma loja de pedrarias.
O gaúcho Pedro Dias e a madrasta, a isralense Vicki, dizem que já lucram  (Foto: Luana Leão/G1)O gaúcho Pedro Dias e a madrasta, a isralense
Vicki, dizem que já lucram (Foto: Luana Leão/G1)
Segundo o diretor da agência distrital da vila, Mauro Vasconcelos, Alter do Chão é sustentada pelo turismo. Ele explica que, desde que a praia foi eleita a melhor do Brasil, o movimento cresceu consideravelmente. “Não temos um dado oficial, mas é visível a mudança. Muita gente se sente atraído para vir conhecer Alter. Tem gente que gosta tanto que vê esse crescimento da vila e aproveita para investir no seu negócio aqui também.”
De acordo com Vasconcelos, as pessoas que nasceram na vila normalmente trabalham com a venda de comidas típicas, do artesanato local ou montam algum comércio. “Já os que vêm de fora investem em algo que não tem em Alter do Chão, algo mais voltado para atender o visitante”, ressalta.
O gerente de uma loja que trabalha com artes em marfim vegetal e joias criativas, Pedro Dias, de 35 anos, é gaúcho, mas mora em Alter do Chão há três anos. Ele destaca o apego à natureza como principal motivo para mudar de cidade. “Alter do Chão é especial, nem tem como explicar direito. É um conjunto de coisas. Essa região é toda cheia de lugares bonitos para serem oferecidos ao turista”, diz.

Com pouco mais de um ano de funcionamento, Dias passou a vender alimentos naturais no espaço que alugou para montar a loja. “Muitos turistas, principalmente estrangeiros, não estão acostumados com a culinária brasileira e querem uma salada, um suco diferente, com frutas e hortelã, gengibre e outros ingredientes naturais. Aqui não tinha um local com comidas naturais”, conta.
O mineiro Moacir Miorando, de 29 anos, conheceu Alter do Chão durante a lua de mel. Alguns meses depois, decidiu montar um hostel, que funciona como uma pousada com adaptações de casa, o que permite que o hóspede utilize a cozinha, por exemplo. “Como já estávamos decididos a montar um negócio, achamos que aqui tem um potencial turístico muito alto e decidimos investir. Além de tudo, é um local acolhedor, seguro, tem uma energia muito boa”, explica. Segundo Miorando, os empresários estão discutindo a criação de uma associação de hotéis, pousadas e restaurantes.
De acordo com dados estimados pela Secretaria Municipal de Turismo, antes da "fama", a cidade tinha cerca de 5 mil habitantes. Hoje, entre nativos e migrantes, ao menos 8 mil moram na vila.
Falta de estrutura
A maioria das pessoas que investiram em Alter do Chão, no entanto, ainda reclama da falta de caixas eletrônicos e centrais telefônicas, dizendo que isso prejudica o desenvolvimento econômico da vila.