Estudantes relatam roubos na saída da aula devido à falta de iluminação


Escola Aldo Ferreira Campos não conta com iluminação nas principais vias próximas (Foto: Luana Leão/G1)Escola Aldo Ferreira Campos não conta com iluminação nas principais vias próximas (Foto: Luana Leão/G1)
 
A falta de iluminação pública nas ruas próximas à Escola Municipal Aldo Ferreira Campos, no bairro Alvorada, em Santarém (PA), tem facilitado a ação de assaltantes e tornando alunos e funcionários alvos de roubos. Estudantes contam que os crimes são frequentes na região e que nenhuma providência é tomada.
Ao redor da escola, a maioria dos postes está com as lâmpadas queimadas. Em algumas vias perto, há uma sequência de cinco postes de iluminação sem funcionamento. De acordo com a diretora do colégio, Cilene Vidal, as ocorrências são mais frequentes na hora da saída.
Alunos do turno da noite, que estudam na Educação Especial de Jovens e Adultos (EJA) e no Projeto Brasil Alfabetizado (PBA) e têm idades entre 15 e 60 anos, contabilizam vários casos recentes. “Ao sair à noite, já encontrei assaltantes armados na rua. Para sairmos daqui tem que ser em grupo de quatro a cinco pessoas, mas nem sempre é possível porque moramos em ruas diferentes. É muito perigoso. Existem pessoas que já sofreram abusos. Já passamos por muita situação difícil”, relata a estudante Célia Antunes, de 56 anos.
A professora Rosete Araújo é uma das vítimas recentes dos criminosos. “Quando saí aqui da escola, fui abordada por dois caras que tomaram meu celular”, conta.
O vigilante Jocelmo Rego afirma que já foi ameaçado ao tentar impedir que a escola fosse invadida. Ele diz que em uma das ocasiões chegou a ligar dez vezes para a polícia e não obteve resposta. “Trabalhar à noite aqui a gente trabalha porque precisa, mas é um trabalho arriscado. O ideal seria de imediato a construção do muro da escola e que no período da noite trabalhassem no local pelo menos dois vigilantes ao mesmo tempo.”
A diretora Cilene Vidal afirma ter procurado, juntamente com a associação de bairro, as secretarias de Infraestrutura e Educação em busca de uma solução para o caso, sem sucesso. Cilene afirma que até o prefeito Alexandre Von já esteve no local e conhece a realidade enfrentada pela comunidade.
“Um levantamento das providências necessárias para a solução do problema já foi feito e aguardamos que o projeto seja executado. Também existe a necessidade de rondas policiais com mais frequência nas proximidades da escola. A ronda é feita apenas um dia da semana. Isso quando é feita”, diz.

Outras escolas
A escola estadual Almirante Soares Dutra, no bairro Caranazal, também enfrenta problemas com assaltos nas proximidades da instituição.  De acordo com a diretora Jorgenete Garcia, as ruas não estão 100% escuras, porém há trechos que são propícios ao ataque dos bandidos. “A Avenida Marechal Rondon é a mais escura. Há tempos que temos problemas com assaltantes nessa rua e até hoje não vi nenhuma melhoria”, afirma.
A diretora relata que alunos já foram assaltados saindo da escola. “As proximidades do colégio necessitam de uma melhoria na iluminação pública. Só não estamos totalmente no escuro porque os moradores iluminam a rua.”
Alunos e professores da escola Wilson Fonseca também reclamam da escuridão (Foto: Luana Leão/G1) 
Alunos e professores da escola Wilson Fonseca
também reclamam da escuridão (Foto: Luana
Leão/G1)

A vice-diretora da escola estadual Wilson Dias da Fonseca, do bairro Nova República, Antônia Umbelino, também ressalta que vários alunos foram assaltados na volta para casa.

Policiamento
O major da PM João Costa diz que a corporação realiza rondas a partir das ocorrências registradas pelo Núcleo Integrado de Operações (Niop). “Além das rondas feitas pelas viaturas, temos as motos e o policiamento escolar, que são duas viaturas.”
De acordo com o major, as rondas contam com um sargento que trabalha com o projeto da polícia comunitária. Em alguns casos, no entanto, diz, é necessária a presença de um conselheiro tutelar. “Muitas das vezes não é só problema de polícia. Segurança pública não se faz apenas com polícia na porta de estabelecimentos, se faz com políticas de segurança pública, iluminação, limpeza, asfalto, pavimentação, situações de acessibilidade. Tudo isso gera segurança pública”, enfatiza.
Segundo Costa, as rondas são feitas das 17h às 23h, atendendo a saída dos alunos da tarde e a entrada e a saída dos alunos da noite.
Um dos problemas citados pela PM é a falta de vigias preparados para desempenhar a função de seguranças nas escolas. “A gente entra à noite e vê que o vigia é qualquer um, que, na maioria, está esperando ir para a aposentadoria. É funcionário do município ou do estado e não tem compromisso com a segurança pública, não sabe agir na hora que acontece um arrombamento. Não liga, não aciona a polícia”, afirma o major.
Procurada pelo G1, a Polícia Civil diz não saber quantos boletins de ocorrência de assaltos cometidos nas proximidades das escolas são registrados.
Solução
Um dos representantes da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Santarém (Umes), Jackson Assis diz que a entidade sempre reivindicou ao poder público a solução do problema. “Essas cobranças vêm sendo feitas desde a gestão passada e seguem na atual”, afirma.
“Muitos alunos desistiram de estudar. E uma pergunta que eu sempre faço aos governantes: será que não tem dinheiro para iluminação pública e para educação?”, questiona.
De acordo com o secretário de Infraestrutura da cidade, Edilson Pimentel, a empresa responsável pelo serviço de iluminação pública tem trabalhado na recuperação de lâmpadas que estão queimadas. Pimentel explica que na escola Aldo Ferreira Campos as lâmpadas ainda não foram colocadas, mas serão instaladas conforme o “andamento dos projetos da secretaria”.
PM diz que faz rondas e cita despreparo de vigias como um dos problemas da falta de segurança (Foto: Luana Leão/G1) 
PM diz que faz rondas e cita despreparo de vigias como um dos problemas da falta de segurança (Foto: Luana Leão/G1)