Santarém deve ganhar 1º centro de acolhimento de moradores de rua


Cidade tem aproximadamente 70 moradores de rua (Foto: Karla Lima/G1) 
Cidade tem aproximadamente 70 moradores de
rua
(Foto: Karla Lima/G1)
Moradores de rua em Santarém não contam hoje com nenhum centro de acolhimento (Foto: Karla Lima/G1)Moradores de rua em Santarém não contam hoje com nenhum centro de acolhimento
(Fotos: Karla Lima/G1)
 
O município de Santarém, no oeste do Pará, deverá ganhar o primeiro centro de acolhimento de moradores de rua. Hoje, na cidade, não há nenhum espaço capaz de abrigá-los.
Um trabalho para identificar essa população já foi iniciado. A Secretaria Municipal do Trabalho e Assistência Social realiza um mapeamento para saber o local onde os moradores de rua se concentram, além de buscar familiares e coletar informações para traçar os perfis desse público. Os primeiros resultados do levantamento realizado pela secretaria mostram que há aproximadamente 70 pessoas em situação de rua na cidade.
Segundo a assistente social Ivonete Lopes, há uma expectativa de que o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, o Centro POP, seja inaugurado ainda em 2013. “Já temos recursos. Desde abril os profissionais estão se capacitando. Num curto espaço de tempo teremos o local.”
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, o município é um dos que aderiram à oferta do serviço em 2012. Já foram repassados R$ 78 mil para a implantação. A prefeitura tem até maio de 2014 para inaugurar a unidade. De acordo com o ministério, o objetivo é criar um espaço para o convívio grupal, social e o desenvolvimento de relações de solidariedade, afetividade e respeito. O município terá capacidade para receber, por mês, cem pessoas em situação de rua.
Um terreno localizado na Rua Hortência, bairro Jardim Santarém, pode ser o escolhido para abrigar o Centro POP. “É uma construção antiga, mas ainda não há uma definição. O espaço tem que ser amplo, calmo, onde os moradores de rua possam fazer atividades diversas. A finalidade é reestabelecer a socialização e os vínculos familiares.”
O Centro POP funcionará como uma casa, com dormitórios, cozinha, sala e horários pré-definidos para alimentação. Ivonete ressalta, no entanto, que o ambiente será aberto, não sendo obrigatória a permanência no prédio.
Enquanto não há definição de local, os atendimentos serão realizados no prédio do Centro de Referência Especializada de Assistência Social (Creas). Quem quiser obter informações ou auxiliar o trabalho do Creas pode entrar em contato pelo telefone (93) 3522-1866.
Sala de orientação
Os moradores de rua ficam em vários pontos da cidade, mas durante o dia procuram locais para se proteger da chuva ou do sol forte. Podem ser encontrados, principalmente, nas praças e no Mercadão 2000, na Avenida Tapajós. Uma sala fixa será implantada no lugar para dar orientações e encaminhar os moradores de rua ao Centro de Referência.
Atualmente, o município conta com uma unidade do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas, que não busca os indivíduos nas ruas nem oferece abrigo, mas permite atendimentos de assistência médica. Com trabalhos realizados por profissionais como psicólogos, psiquiatras e enfermeiros, o CAPS busca a reintegração dos indivíduos na sociedade de forma produtiva e participativa a ambientes sociais e culturais.
Consultórios de rua
A Secretaria Municipal do Trabalho e Assistência Social, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, prevê que a partir de março de 2014 também sejam implantados os consultórios de rua, unidades móveis que contarão com os trabalhos de uma equipe de multiprofissionais. Os atendimentos serão realizados nos bairros. As equipes irão à busca das pessoas e, dependendo do problema do paciente, encaminhá-las às Unidades Básicas de Saúde ou ao Hospital Municipal. “A partir da implantação desses projetos, nós realizaremos um trabalho muito importante com as famílias também e evitaremos que outras pessoas passem a viver nas ruas”, afirma Ivonete Lopes.
Jorge Vitório Dias, de 49 anos, é um dos moradores de rua de Santarém. Ele deixou a família no Maranhão com destino ao município quando tinha 9 anos. Nas ruas, passou a usar drogas. Desde então, tenta largar o vício. “Eu tento, mas caio no vício de novo.” Depressivo, o morador de rua diz estar cansado de viver. “É porque às vezes eu quero morrer. Olha aqui, eu mesmo que fiz isso”, diz, mostrando cortes de faca pelo corpo. “Perdi meu pai, minha mãe, meus quatro filhos e minha mulher.”
Jorge Vitório tenta se livrar da dependência química; no detalhe, cortes feitos nos momentos de crise (Foto: Karla Lima/G1)Jorge Vitório tenta se livrar da dependência química; no detalhe, cortes feitos nos momentos de crise (Fotos: Karla Lima/G1)