Jovem que foi gerente do tráfico no Alemão aos 16 anos agora trabalha em multinacional


(Fonte: Globo.com em 23/08/14)


Era a segunda passagem de Wanderson Skrock, à época com 16 anos, por unidades para menores infratores no Rio. Até ali, atuando como gerente do tráfico no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, trilhava o caminho do crime

Um curso de Informática dentro do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), fez com que sua vida tomasse outro rumo. O rapaz conseguiu terminar o ensino médio e, em seguida, entrou para a faculdade. Aos 25 anos, formado em Administração, Wanderson coordena um projeto de inclusão digital numa ONG multinacional. No mês passado, o rapaz esteve em Atlanta, nos Estados Unidos, em evento anual da Microsoft, no qual representou o Brasil. Há dois anos, foi palestrante do TEDx, encontro também internacional. É solicitado para falar não só de seu trabalho, mas também de sua história.
Tive a sorte de cruzar com agentes socioeducativos que realmente queriam desempenhar esse papel de ajudar os jovens a se recuperaremAcreditaram em mim. Claro que a minha força de vontade contribuiu, mas tive referências excelentes lá dentro - relembra Wanderson.
O jovem foi criado no Complexo do Alemão, junto com os cinco irmãos. A família, que é de Catanduvas, no Paraná, veio para o Rio quando ele tinha sete anos. Wanderson entrou para o tráfico aos 12. Com 16, já era gerente. Há um ano na função, foi apreendido pela segunda vez. Passou oito meses no Educandário Santo Expedito, em Bangu, e depois foi para a unidade de semiliberdade de Santa Cruz. Foi lá que sua vida mudou.
Meses depois de deixar o Degase, em 2007, o jovem voltou para a unidade de Santa Cruz. Dessa vez, como educador, função que desempenhou durante um ano e meio.
- Quero servir de exemplo para outros garotos. A maioria está no Degase por não ter oportunidadesMe deram uma e aproveitei. Muitos ali só precisam dessa chance - garante.
O principal obstáculo, acredita ele, é a postura da maioria dos agentes e diretores.
Muitas vezes, falta um olhar acolhedor dos agentes e direção para os adolescentes, que entram ali com as referências do crime, e só precisam ter outrasOs funcionários devem ser essa boa referência - aposta.
Com o projeto que está coordenando, o “Amigos do Planeta”, Wanderson já rodou cidades como Petrolina, em Pernambucano, Maceió, em Alagoas, e Feira de Santana, na Bahia. Agora, está em Juazeiro do Norte, no Ceará. Ele visita os locais num caminhão equipado com computadores, e dá cursos sobre inclusão digital, empregabilidade e empreendedorismo. Sua filosofia de vida é ajudar o próximo.
- Quero trabalhar ajudando os outros e compartilhando conhecimento. Não estou só ensinando, mas aprendendo também - anima-se.

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