Novo comandante da PM priorizará POLÍCIA COMUNITÁRIA



O coronel Anselmo Brandão, de 52 anos, assumiu o comando da Polícia Militar da Bahia no início deste ano e possui um histórico de trabalhos comunitários ao longo dos 32 anos de carreira militar.
Ele tem a missão de orientar a corporação, considerada uma das mais violentas do País, de acordo com o 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública do ano passado. O estudo apontou que a Bahia é o segundo estado com maior número de mortes por policiais. Para o comandante, o índice representa um real "enfrentamento da criminalidade". O juazeirense afirma que a filosofia de sua gestão é aproximar a comunidade da PM, a fim de transmitir maior sensação de segurança. Em meio à apresentação dos projetos, o coronel avalia a polícia nos três primeiros meses da gestão.
O senhor pode apontar qual o motivo das recentes substituições de comando na capital e no interior?

As alterações recentes ocorreram em virtude da nova filosofia do comando, que é oxigenar a equipe. A partir do momento que mudamos essas nomeações, levamos um novo olhar para as regiões, porque, às vezes, um comandante que tem 3 anos está acostumado com a mesma prática e rotina.
Em alguns municípios, a população reclama da falta de estrutura (carros e policiais), o que tem favorecido os assaltos a banco, muitos com explosivos. Como a PM pode evitar isso?
O que está acontecendo com terminais de atendimento é uma questão atípica e é em todo o Brasil. O governador  está fazendo uma trabalho com a Fenaban [Federação Nacional dos Bancos], e ontem recebemos uma notícia positiva de que a Caixa Econômica terá um sistema de segurança com dispositivo de fumaça em todas as agências e o Banco do Brasil também  caminha neste sentido.
Com o cerco se fechando para criminosos em Salvador, eles estão migrando para o interior. Como a PM trabalha para localizar e prender essas quadrilhas?
Esse mês já prendemos duas quadrilhas bastante perigosas. Anteontem, uma foi presa em Monte Santo. O grupo estava preparado para assaltar quatro agências na região. Temos o acompanhamento de todas as facções e quadrilhas que procuram se estabelecer na Bahia. Temos um estudo de mancha criminal, onde sabemos todas as linhas, a motivação e onde poderemos aplicar melhor o nosso efetivo. Para preservar o serviço de inteligência, prefiro não informar como é feito o trabalho.
Temos visto casos de rebeliões e fugas em presídios baianos. Como o senhor avalia a atuação dos batalhões de guarda nos presídios e a preparação das tropas de choque para conter os motins?
Os batalhões de guarda nunca estiveram tão preparados e equipados como atualmente. Tanto é que é raro, hoje, ver o chamamento de tropa de choque para conter rebeliões nos presídios de Salvador. O batalhão de guardas tem uma tropa especializada em lidar com esses conflitos, inclusive fazendo intervenções sem o uso de arma letal. Temos esse grupo tanto na capital e no interior . Os nossos presídios têm problemas como em qualquer outro lugar do Brasil, por conta da quantidade de presos.
Ações do grupo especializado Rondesp, com mortes de suspeitos, têm causado polêmica, rendido críticas e até mobilizado a Anistia Internacional. O Comando pretende manter ações como a do Cabula, no início do ano, ou avalia novas abordagens?

Esse fato não é a nossa rotina. Nos meus 30 anos de polícia, nunca assisti a algo desse tipo. Mas foi em decorrência da situação em que os policiais se encontravam. A versão relatada por nossos PMs é de que eles estavam na linha tênue do crime. Ou eles tomavam aquela atitude, ou teríamos muitas vítimas da PM. O ocorrido nos entristece, mas isso não muda o conceito da necessidade de ter uma tropa como a Rondesp. As ações que fizemos no Cabula estão amparadas pela nossa legislação, com acompanhamento do Ministério Público e a veracidade dos fatos está sendo apurada.
Segundo o Anuário de Segurança Pública do ano passado, a polícia baiana foi a segunda que mais matou no Brasil em 2013. Somado a isso, a repercussão da ação do Cabula "carimbou" a polícia baiana como "muito agressiva". Como mudar essa imagem?

Já estamos fazendo isto. Esta é a filosofia do meu comando. Essa informação do Anuário me entristece, mas a violência não é o norte da polícia na Bahia. Se as pessoas morreram, é porque houve um motivo que levou a esse estágio. A corporação é voltada para uma polícia comunitária, que está a todo momento tentando proteger as pessoas, para passar uma sensação de segurança à população.
O currículo do senhor traz um histórico de trabalhos comunitários para facilitar a implantação de uma cultura de paz. O que  pensa em fazer neste sentido à frente da corporação?

Nossa proposta é trazer a comunidade para os quartéis. No interior, estamos com projeto de levar para todos os batalhões pistas de atletismo, com o objetivo de atrair a população. Nossas bases comunitárias estão com projetos que fazem a diferença nas comunidades. Alguns são premiados internacionalmente como: 'karatê do saber', sobre música, inclusão digital. Envolvem crianças, adolescentes e idosos. Outra ideia é a ronda escolar, que quero implantar na capital e no interior, com o objetivo de aproximar os jovens da rotina da PM, por meio de palestras e apresentações.
Qual a avaliação do policiamento nesses três primeiros meses em que está à frente da PM?

Positiva. Os policiais estão comemorando a modificação da legislação interna de promoção e a globalização do homem, com cursos, a criação do departamento de promoção social e a nova polícia comunitária. Para o público externo, estamos mudando a gestão de segurança. É possível ver viaturas, ampliação do policiamento ostensivo com bases móveis, motos circulando, abordagem a coletivos e viaturas paradas em pontos estratégicos durante a noite. Se depender dos projetos encaminhados, Salvador deve ter cerca de 30 bases móveis até 2016.
Algumas pessoas têm ressalvas quanto à atuação da Guarda Municipal armada. Para a PM, a Guarda Municipal armada atrapalha ou auxilia?

Auxilia bastante. Nossa parceria com a Guarda Municipal tem sido muito exitosa. É lógico, que eles têm uma missão específica, que, em primeiro momento, é proteger o patrimônio do município - praças, terminais de transbordo, monumentos -, mas também contribuem para a segurança pública. Temos treinado a Guarda Municipal para o uso de armamento, inclusive não letal. Acredito que, se bem treinada e equipada, pode ser uma grande parceira.
O que fazer para reduzir o alto índice de roubos de carros em algumas regiões de Salvador?

Trocamos o comando desta área, intensificamos a operação Apolo. Além disso, um convênio que estamos firmando com a Polícia Rodoviária Federal vai melhorar muito essa situação. Vamos começar a atuar juntos na BR. Já começamos a fazer algumas ações, mesmo sem assinar convênio. Com isso, fecharemos os acessos de Salvador. Em março, tivemos uma redução boa de roubo de veículos. A média da capital é de 28 veículos, chegamos a 21.
Como cidadão, o senhor se sente tranquilo para transitar à noite com sua família em locais como a orla entre Boca do Rio e Itapuã ou na orla do subúrbio?

Não tenho dúvidas que sim. Transito na cidade, com alguns cuidados como em qualquer capital - atenção ao circular e estacionar o carro. É importante que a comunidade seja nossa parceira, informando e indicando os locais com mais necessidade de segurança.
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