A Caserna Fora do Sério



  • FUSCA
    Corria o ano de 1986, o aspirante recém-formado pela Academia de Polícia Militar de Minas Gerais cumpria a tradição: deixou crescer o bigode, comprou um óculos Ray-ban e adquiriu um Fusca.
    Todo faceiro, jovial e exultante, desfilava com seu fusca pelas ruas de Belém.
    Ao parar na esquina da Avenida Pedro Miranda com Mauriti, uma mulher encosta ao seu lado, no semáforo, dirigindo um belo carro. Ele olhou para o lado e viu que ela falava algo na direção dele.
    Ele usava o vidro do Fusca suspenso para pensarem que o carro tinha ar condicionado. Mas, não tinha.
    Empolgado com o olhar da bonita condutora do veículo vizinho, o aspirante resolveu baixar o vidro de seu Fusca para tentar descolar o telefone da gata. Girou a maçaneta com disfarçável força para a moça não perceber que o vidro não era elétrico.
    Ela baixou o vidro dela, apertando o dispositivo automático e disse com clarez:
    - Pegando fogo!
    - O quê?
    - Pegando fogo. O motor do seu carro tá pegando fogo, aí atrás!