Copa da "pegação": cantadas e olhares marcam interação entre brasileiros e estrangeiros na Capital

Copa da "pegação": cantadas e olhares marcam interação entre brasileiros e estrangeiros na Capital André Baibich/ Agência RBS/Na esquina da Lima e Silva com a República, poucos se interessam por Brasil x México. Foto: André Baibich/ Agência RBSEsquina da Rua Lima e Silva com a Rua da República, coração da Cidade Baixa. É dia de jogo da Seleção Brasileira, mas quem ocupa as calçadas, longe das televisões que estão dentro dos bares, só estica o pescoço para acompanhar o jogo quando surgem gritos dos torcedores mais atentos. O foco, na maior parte do tempo, está longe do futebol.Perto dali, um uruguaio encontra um compatriota e aperta os olhos na direção da TV mais próxima.
— Difícil ver el partido acá, no? — indaga, antes de ser rebatido de forma quase ríspida.— Partido, que partido!? — responde o torcedor charrúa, juntando os dedos e balançando as mãos para imitar o gesto típico de descontentamento dos italianos. Os dois caem na risada.
Há quem escolha os bares da Capital para ver jogos da Seleção à procura do ambiente de estádio, do abraço nos amigos a cada gol marcado. E há quem veja a Copa em Porto Alegre como uma oportunidade para, digamos, novas experiências.
É a motivação da menina que conversa com um australiano e pede seu endereço no Facebook. Ela pega um pedaço de papel, uma caneta, e oferece as costas como mesa improvisada para que ele anote o contato. Volta para a roda de amigas animada, mas é interrompida pela companheira que a cutuca:
— Ooooolha ali...Mas não agora, espera — sussurra, apontando discretamente na direção
de dois meninos do outro lado da rua.
Passam-se alguns minutos e, de repente, o rosto da mesma menina se fecha em uma expressão apavorada:
— Meu Deus, perdi eles...Ah não, tá ali! — alivia-se, em uma prova de que não apenas as falhas da zaga brasileira provocam sustos nessa Copa.

Local estratégico no bar e mímica na fan festDentro dos bares e na fan fest, no Anfiteatro Pôr-do-Sol, o cenário se repete. Na Lima e Silva, antes de Brasil x México, uma dupla de brasileiros debate onde ver o jogo:
— Aqui tá bom, só tem loira top! — diz um deles. É o suficiente para convencer o amigo.
Perto dali, dentro de um boteco, um quarteto de meninos sobe em um degrau que dá visão estratégica de todas as mesas. Ficam satisfeitos.
— Que maravilha. Daqui a gente só sai "na certa" — orienta o mais animado.
Depois do jogo, no Anfiteatro, um holandês é surpreendido por uma senhora, que o aborda em português pausado e gritado, como se a fala lenta e em alto volume fosse capaz de ultrapassar a barreira da língua.
— Entende o que eu digo!? — a cara de espanto do interlocutor não intimida a senhora, que continua:
— Aquela loira gostou de ti! Quer te dar um beijo! — grita, antes de soltar beijos no ar para se fazer entender.
Um tradutor aparece e explica a situação. O holandês recusa a oferta, causando espanto na senhora:
— Só um beijinho, ela não quer casar contigo!
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