Polícias no WhatsApp

O grupo PC/PM é o mais ativo no WhatsApp do titular da Delegacia de Crimes Contra a Vida de Vitória, José Lopes. O aplicativo é usado como instrumento de troca de informações entre as polícias do Espírito Santo.

Comandante do Batalhão da Polícia Militar de Vila Velha, Laurismar Tomazelli coordena, juntamente com Lopes, as operações policiais no município, situado na região metropolitana da capital.
Segundo ele, o bate-papo virtual mantém policiais das duas instituições informados sobre operações, dinâmicas criminais, indicadores, inquéritos e suspeitos procurados.
“Um delegado de Vila Velha conhecia somente o apelido de um suspeito. Pediu mais dados ao chefe de investigação da cidade e nada. Quando ele colocou no grupo, um PM tinha a foto e a qualificação do rapaz. Só a partir disso pudemos pedir a prisão”, conta Lopes.
Com foco no planejamento operacional, as reuniões quinzenais organizadas pelos dois coordenadores de área integrada giram em torno sempre dos mesmos assuntos. Ou quase.
“A gente trata dos problemas, mas também fala sobre futebol, dá uma descontraída. Passamos a conhecer policiais de quem só sabíamos os nomes”, diz Tomazelli.
Na opinião do comandante-geral da PM do Espírito Santo, coronel Edmilson dos Santos, as polícias do Estado conseguiram superar o egocentrismo e as trocas de acusações entre as instituições, problemas que, para ele, são comuns no resto do país.
“Ninguém ama aquilo que não conhece. A instrumentalização feita pelo governo aproximou fisicamente as polícias”, afirma.
Ao final de cada mês, os responsáveis pelas 20 regiões integradas apresentam resultados em reunião com o governador do Estado, Renato Casagrande (PSB). Também participam do encontro secretários de governo, comandantes-gerais da PM e do Corpo de Bombeiros, o chefe da Polícia Civil e o procurador-geral do Estado. A proposta é promover discussões e possibilitar a articulação de ações entre todos os atores da segurança pública do Espírito Santo: da cúpula da polícia ao Poder Judiciário.
Gilmar Ferreira, presidente do Conselho de Direitos Humanos do Espírito Santo, reconhece a diminuição dos índices de violência no Estado nos últimos anos, mas diz acreditar que o programa tenha pouca participação social.
“Há as reuniões de monitoramento, mas só participam delas a cúpula da polícia e o governador. Não há um ambiente para debate. Acaba se tornando uma política meramente policial”, critica.
A presença do governador nas reuniões de monitoramento e a mobilização de todas as instituições ligadas à segurança pública em torno do programa são os diferenciais do Estado Presente, na opinião de Carolina Ricardo, analista sênior do Instituto Sou da Paz, entidade que faz análises sobre a violência no país.
Segundo ela, o Estado tem conseguido enfrentar o “problema histórico” de concorrência entre as polícias. “Nos poucos Estados onde há uma política de segurança, isso costuma avançar porque as instituições são cobradas de forma compartilhada. Nesse quesito, acho que o Espírito Santo está à frente de outros locais”, diz.
http://arte.folha.uol.com.br/treinamento/2014/11/30/violencia-tem-cura/vitoria.html